Vovó esteve lá em casa outro dia e ele todo feliz foi mostrar pra ela nossa cesta de pães e biscoitos.
- Olha vovó, já temos a cesta pra fazer piquenique no Aterro do Fluminense!
Menos, meu amor, menos... Ninguém mandou ser pó-de-arroz!! =D
terça-feira, 14 de junho de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Eu hoje
Hoje aconteceu uma coisa que, pela primeira vez, fez com que eu me questionasse sobre a vida que levo. Essa vida de mãe solteira com jornada tripla, a que trabalha o dia todo fora de casa deixando os filhos na creche, a que trabalha em casa sem deixar de atender as crianças e a que muitas vezes tem um trabalho extra para completar o orçamento. Hoje me questionei onde as mulheres do século passado estariam com a cabeça quando bateram o pé exigindo direitos iguais. Direitos iguais pra quê? Pra provar que podemos fazer o que quisermos, que podemos ir aonde nossos sonhos nos levem e que o quer que escolhamos fazer, vamos fazê-lo bem?!? Sim, eu sei que eu posso. Mas a pergunta que me fiz hoje foi: eu quero??
Senti saudade da mulher que eu poderia ter sido no tempo da minha avó. Que ficava em casa cuidando da comida, da roupa, da faxina. Hoje trabalho pra poder pagar alguém que faça isso por mim. Faz algum sentido isso?? Faltam horas no meu dia, sempre acabo deixando n coisas pra fazer no dia seguinte, como se o dia seguinte não fosse ter suas próprias tarefas. Não dou conta. Hoje desejei ser mujer florero, ficar em casa me ocupando dos afazeres do lar, receber meu marido no fim o dia com um beijo e a janta na mesa. Patético depender de alguém? Não ter vida própria? Pode ser, mas a verdade é que eu sinto falta da minha casa, do meu tempo pra cuidar das minhas coisas e principalmente, de ter todo o tempo disponível para o meu filho. Não que eu não seja uma mãe dedicada, eu acho até que devo estar um pouco acima da média, já que meu filho é minha responsabilidade e eu não delego isso a ninguém. Pode faltar tempo pra mim, não para o meu filho. Mas hoje eu percebi que por mais que eu me esforce, vão haver momentos em que eu não vou poder estar ali e isso me incomodou. Me senti a pior das mulheres, a pior das mães. Coisa minha, ele nem percebeu. Mas minha alma ficou traumatizada, como se tudo o que eu acreditava ter como base tivesse desmoronado.
Eu não sei exatamente onde nós mulheres vamos parar. Ser mulher no século passado também devia ter suas dificuldades, diferentes dessas, mas ainda dificuldades. A única coisa que sei é que hoje não estou tranquila. Tem um turbilhão de emoções dentro de mim se movendo vertiginosamente e eu não faço idéia do que fazer com elas. Vou dormir pra ver se se acalmam.
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Coisas da mamãe
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Sobre retângulos, macacos e frutas
- Mamãe, o que é "retângulo-tango"?
Lembrei do Monstros S.A. e da Célia-élia...
- Ah, querido, é uma forma geométrica, que nem tem o quadrado, o círculo, o triângulo...
Cara de sabe-tudo:
- Não é nada disso ma-mãe.... É um tipo de macaco!!!
Cara de incrédula, quase sem conseguir segurar a gargalhada:
- Sééééériooooo?? Como é que diz mesmo?!?? (sorrindo, hahahahahaaha!!)
Cara de encabulado:
- Re-tân-gu-lo-tan-go... (bem baixinho...)
Com a maior paciência do mundo:
- Não, meu amor, se diz ORANGOTANGO!!
Cara de quem acendeu a luzinha lá dentro:
- Isso mesmo mamãe, e é irmão do MORANGO!!! São os três amiguinhos....
E lá íamos nós, eu gargalhando pelo meio da rua e ele falando as abobrinhas mais lindas do mundo!!!
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Cotidiano
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Surpresa para a mamãe
Dia desses ganhei uma pedra.
Uma pedrinha qualquer, na verdade acho acho que nem pedra é, parece mais resto de obra, um pedacinho de cimento ou concreto que ficou por ali.
Mas ele achou, e era pra mim.
- Olha mamãe, uma PEDRA!!!! Vai ser sua surpresa, toma!!
E eu fiquei encantada, não pela pedra em si, mas pela felicidade em encontrá-la, por ter sido importante pra ele, por ele querer dá-la pra mim, e principalmente, por ver que as coisas simples são de verdade as mais importantes.
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Cotidiano
domingo, 27 de fevereiro de 2011
A dor da perda
Pela primeira vez vi meu pequeno chorar pela falta de alguém. Alguém que trouxe a felicidade, que se fez presente, que é muito amado, que era nosso, segundo seus olhos inocentes, mas que ainda assim decidiu partir. Não escondo minhas lágrimas de meu filho quando por algum descuido ele me pega chorando, tento explicar que mamãe também chora, que não é por nada que ele fez, que mamãe também fica triste às vezes.
Dessa vez, a dor que senti no meu coração foi imensa, porque suas lágrimas não foram de birra, manha, sono ou dor física. Foi por causa de algo que veio lá de dentro, que embargou a voz, que fez aquele rostinho de anjo se encolher no peito e suas mãos esfregarem os olhos, sem saber muito bem o que estava acontecendo. Perguntei se ele queria chorar, ele fez que sim com a cabeça, e nos abraçamos, e choramos juntos.
Mais tarde, ele voltou no assunto e perguntou porque quem partiu foi embora. De novo a voz embargada e o choro contido. Como explicar o que nem você sabe? Fiz o melhor que pude e logo mudei de assunto. Acho que ele esqueceu, pelo menos naquele momento. Mas a minha dor de vê-lo assim com certeza é muito maior do que a dor que nos fez chorar. Prometi a mim mesma que ele não vai mais passar por isso, pelo menos não por minha causa. É muito cedo ainda pra que ele aprenda que os sonhos terminam, que as pessoas dizem que vão ficar mas acabam indo embora, que muitas vezes acontece quando você menos espera e você tem, de uma forma ou de outra, que juntar os caquinhos do que restou e continuar caminhando. Uma e outra vez.
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Vou jogar minha Bússola no lixo!!
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
A Bússola e o Norte
Ela sempre sabia das coisas. Nunca entendeu muito bem como, mas no fundo ela sabia. Levava dentro de si uma Bússola antiga, muito mais antiga do que ela mesma. E muitas vezes, em vários momentos de sua vida, quando a Bússola parecia ter quebrado de vez, lá estava o Norte, fitando-lhe do horizonte, tal como um farol alumbra o mar impedindo que os barcos saiam de sua rota.
Sempre existiu uma diferença muito grande entre o que as pessoas viam nela e o que ela levava dentro. A Bússola nunca esteve quebrada, mas por alguma razão que ela desconhecia, sempre a fazia trilhar os caminhos mais tortuosos. Ela sabia que tinha razão, que existia uma razão, ainda que todos tivessem duvidado dela em algum momento. Essa dúvida a deixava triste, mas ao mesmo tempo feliz, porque refletia toda a vontade e toda a coragem de trilhar o seu próprio caminho. E ela estava só.
Um dia o Norte se perdeu. E a Bússola... Bem, a Bússola se desgovernou. O horizonte agora era breu e ela não sabia mais para onde ir. Vagou por muito tempo na escuridão, tentando recuperar a chama de algo que um dia tinha estado ali. Mas só havia frio, e ausência de luz... Ela tinha a sensação de que não era mais capaz de perceber o caminho, de reconhecer a trilha pelo tato. Todo o sentimento que existia a levava de um lado para o outro em uma busca quase desesperada do que um dia foi a sua própria vida. E ela se agarrava aos sentimentos extremos que iam surgindo, junto com os altos e baixos que lhe proporcionavam euforia e desespero. E uma terrível dor de cabeça.
No momento em que ela decidiu se recolher, se afastar de tudo e se fechar, um último alento brotou do fundo de seu ser e ela se aferrou ao que realmente acreditava, ainda que mais uma vez todos à sua volta dissessem o contrário, que ela estava equivocada. Não havia força no Céu ou na Terra que pudesse fazê-la desistir dessa vez, porque ela simplesmente sabia. E o seu saber foi comprovado, e mais uma vez ela ficou para trás. Veio a aceitação, veio o luto, veio a dor. Muita dor.
Quando ela estava descrente e cansada, sangrando por todos os poros, algo inusitado aconteceu. Acreditem ou não, o Amor bateu à sua porta. Na verdade, a porta estava entreaberta porque nunca é possível fechá-la totalmente. E ele foi entrando sem pedir, se instalando na imensidão que era o seu ser, tomando conta de tudo o que ela conhecia. E foi a coisa mais extraordinária que aconteceu com ela jamais! De uma hora para outra ela estava plena, repleta, transbordando! Ela começou a brilhar de uma maneira que ofuscava quem olhava para ela. Era tanta luz, tanto sentimento, que sua simples presença era capaz de contagiar a todos que entravam em contato com ela. Seu sorriso nunca tinha sido tão aberto, suas palavras tão doces e seus gestos tão encantadores. Ela se sentia outra pessoa e as outras pessoas eram capazes de notar isso. Ela nunca tinha sido tão ela mesma!
E então ela percebeu...
... que o Norte não se perde. É algo externo sim, mas foi colocado ali por ela mesma. Foi colocado ali para que ela não perdesse o rumo, mas que não era o mais importante.
Ela percebeu...
... que a Bússola era o mais importante. Era a Bússola que sempre apontava o caminho mesmo quando ela parecia desgovernada aos olhos alheios. Ninguém tinha nada a ver com isso e ela não precisava explicar nada a ninguém. Bastava seguir o caminho apontado, mesmo quando ali na frente só havia desertos e penhascos. Ela sabia que os campos floridos e as praias de areia branca seriam alcançados algum dia. Ela só precisava confiar. E seguir a sua própria Bússola.
Então ela entendeu que a Bússola era o seu Coração.
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