terça-feira, 7 de julho de 2015

A Árvore

Em uma segunda-feira de junho falamos de árvores, de troncos e galhos. De como a vida profissional de uma pessoa pode ser comparada com uma árvore. O tronco, forte e fincado no chão, seria o objetivo principal, a meta e o caminho de vida de uma pessoa. Mas como ninguém nasceu pra ser algo específico, os galhos seriam nossas aptidões, nossos anseios, nossos outros talentos. E daí surgiriam as ramificações, galhos menores, outras motivações que também levamos dentro.

Mas e quando a árvore não tem tronco? Quando o tronco já veio tão ramificado que a própria árvore duvida sobre qual galho deve tomar como centro? Pois é, a vida tem dessas coisas... Muitas vezes olhei com uma pontinha de inveja para aquela amiga que terminou o ensino médio, passou no vestibular, fez a graduação, estágio, mestrado, doutorado, tudo certinho, um atrás do outro, sem "perder" nem um ano, e "terminou" antes dos 30. Mas daí eu penso na minha vida, na minha história, nos caminhos tortuosos que às vezes percorremos por fazer escolhas.

Na minha opinião, não existe escolha errada. Cada escolha te leva por um caminho diferente e você só pode dizer que foi "errado" depois que escolheu, caminhou e viu que não era bem aquilo que você tinha pensado. Então é só escolher de novo! =D

E eu não tenho medo de escolher de novo, o que às vezes pode levar as pessoas a pensarem que eu sou frívola ou estou perdida. Mas eu não consigo me acomodar em uma situação que ficou ruim pensando que de repente eu só preciso dar um passinho em outra direção pra mudar o panorama e ficar mais feliz. Claro que nem sempre eu fico mais feliz, daí tenho que dar outro passo em uma outra direção, mas pra mim está tudo bem, não me sinto vazia nem frustrada, porque tomo minhas decisões com o coração cheio de certeza, minhas certezas (e que na maioria das vezes ninguém mais entende...)

Daí o Tauhata falou da árvore lá do prédio central, com um tronco muito estranho, mas ainda assim, na minha opinião, uma bela árvore. A excentricidade daquele tronco não impede que a árvore continue crescendo nem ofusca sua beleza. E ele fez o elogio profissional mais lindo que eu já recebi na minha vida. Pra ele talvez tenha sido só um comentário, mas pra mim foi muito mais do que um elogio. Eu me emocionei, rolou abraço em prantos, ele desconcertado e emocionado porque não esperava que suas palavras tocassem tão fundo. Foi libertador, um daqueles pensamentos que a gente tem que se repetir todos os dias pra não se esquecer do quanto valemos. Mesmo que os outros pensem o contrário ou não entendam. Mesmo que nosso tronco se confunda com nossos galhos. Porque a árvore continua sendo bela e nossa vida é linda justamente porque é do nosso jeito de ser vivida.



domingo, 29 de março de 2015

Três fugas e dois encontros

Todo mundo sabe que hoje em dia engarrafamento não tem mais nem dia, nem hora. Ontem, pleno sábado ao meio-dia, levei duas horas e meia pra fazer um percurso que normalmente, com trânsito fluindo e contando os semáforos, leva 15 minutos.

Saí do Leblon ao meio-dia e pra fugir do engarrafamento, peguei outro caminho pra chegar na Lagoa. Caminho livre até o túnel, onde estava tudo parado e não dava pra fugir. Queria pegar o elevado na saída, mas o engarrafamento me assustou, ainda mais porque estava sol e estou sem ar. Assim que fugi por baixo. Mais à frente, tudo parado de novo. Pensei em cortar por dentro e fugi entrando na rua onde meu pai mora.

Nesse momento vi a moto do meu marido estacionada em frente da casa, ele tinha saído com meu pai e foi até ali de moto. Vou deixar um bilhetinho! Joguei o carro pro lado e assustei o cara que estava atravessando a rua. Meu irmão! Saí do carro e batemos o maior papo, deixei o bilhetinho que de longe meu marido pensou que era uma multa e fui pra casa feliz, pegando outros tantos engarrafamentos depois de umas tantas outras fugas.

Valeu o encontro com meu irmão. Valeu ter deixado meu marido feliz (apesar do susto). Porque a gente nunca sabe onde nossas escolhas vão nos levar! Mas fica a dica: escolha, siga em frente e não olhe pra trás!! Aproveita pra perceber os presentes do caminho escolhido, que às vezes a gente nem repara porque está muito preocupado pensando nas oportunidades perdidas nas escolhas que deixamos pra trás. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Em momentos de crise, orai e vigiai


Todos nós temos nossos universos particulares onde gravitamos ao redor das diferentes esferas da nossa vida: família, trabalho, mundo interior. Mas não estamos sozinhos neste mundo e é através dos relacionamentos pessoais dentro das nossas várias esferas que entramos em contato com as esferas das outras pessoas, formando um verdadeiro emaranhado de conexões (dá até um nó na cabeça só de pensar!). Não bastasse as peculiaridades inerentes a todos e cada um dos aspectos citados, não podemos esquecer que também existe a esfera da realidade em que estamos inseridos: nosso bairro, nossa cidade, nosso país, o mundo. E isso também muda o tempo todo. 

Da mesma forma que aprendemos a lidar com o que está perto de nós, o que está longe nos afeta. Mas não podemos mudar o mundo, apenas a nós mesmos. Então, o que fazer quando a gente olha em volta e percebe que o mundo está em crise? Os impostos aumentaram, a luz está mais cara, o transporte público é limitado, o transporte particular é um suplício, os políticos roubam desenfreadamente e com a cara mais lavada, nosso país está indo pro buraco, o dólar disparou nos últimos 6 meses, o desemprego se instalou no mundo inteiro e a violência de seres humanos contra outros seres humanos nunca foi tão gratuita.

Desde o que me afeta diretamente, como o aumento da conta de luz, até o que me afeta mesmo estando longe, como as ações desses malucos extremistas religiosos, posso dizer que meu centro está em paz. Olho em volta e confio que tudo isso vai passar um dia, que tudo é cíclico, que não há mal que pra sempre dure, que o sofrimento deve ser encarado como aprendizado, que momentos de crise são ótimas oportunidades para o crescimento pessoal e o fortalecimento da nossa fé. E quando falo em fé, não se trata de religião. Fé é algo pessoal, religião é apenas um meio disponível para entrar em contato com nossa fé. 

E então me vem à cabeça essa frase famosa, “Orai e vigiai”. Não sou estudiosa da Bíblia, mas sou fã de Jesus. Não sei em que contexto ele disse isso, mas tenho certeza que se aplica aos momentos de crise. “Orai”, no meu entendimento, significa se conectar com essa força maior que nos envolve e nos guia, e que alguns chamam de Deus. Significa lançar ao universo nossas aflições e angústias tendo a certeza que elas serão recebidas por aquele que cuida de nós.

“Vigiai” tem um sentido bem amplo, cabendo muitas interpretações. Pra mim, é o prestar atenção nos acontecimentos, nos sinais, nas oportunidades que nos chegam e que na maioria das vezes passam batidas. Prestar atenção nas respostas às nossas aflições. Mas também nas nossas próprias atitudes, nossos pensamentos, nosso discurso. Pensamentos ruins minam nosso próprio eu interior. Palavras lançadas ao vento não voltam, mas carregam toda a energia que imprimimos nelas. É nossa obrigação prestar atenção nos nossos pensamentos, na energia que colocamos em nossas palavras, evitando fofocas e maledicências para não poluir nosso universo particular e contaminar o universo daqueles que nos cercam e que não merecem receber o nosso lixo, pois já estão lutando com seus próprios demônios.

Por isso, em momentos de crise, orai e vigiai. Se conectar com o sagrado de cada um e estar atento pra quando a resposta chegar. Escolher ficar calado quando o que se for proferir não fizer bem a todos os envolvidos. Cuidar os pensamentos para cultivar um terreno saudável dentro de nós mesmos e transmitir coisas boas aos que nos cercam sempre que se der a oportunidade. Ser como as águas profundas de um lago que não se alteram quando pedrinhas são lançadas em sua superfície. Confiar que todas as preces serão atendidas, um dia.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Feliz 2015

Faz muito tempo que não apareço por aqui. Mas quanto tempo é muito tempo? O que nos faz perder a hora ou nos arrastar através dos minutos? Por que às vezes o relógio parece que para e então eis que de repente se lembra que tinha que continuar girando e começa a voar destrambelhado, como que para se recuperar do atraso?

Tudo é relativo, depende do nosso referencial. Tarde, cedo, melhor, pior, feliz, triste, bem, mal... É bom poder dizer que estamos bem; isso significa que em algum momento nos sentimos mal e foi necessário ter passado por isso para valorizar o momento presente. Valorizar o momento presente. Coisa complexa, mas o empenho existe.

2014 foi punk. Sabe aquele ano que a gente tem vontade de riscar do calendário? 2014. Mas acabou e trouxe um 2015 novinho em folha. Pela primeira vez em muito tempo defini metas para o ano que começa. Tenho planos e objetivos, tenho foco, trabalho todos os dias um pouquinho pra chegar lá. Lá? No fundo de mim, trazendo à tona todo o meu potencial, acreditando na minha força e no meu poder de transformação. E já se nota.

Decidi que 2015 vai ser meu melhor ano. A verdade é que já está sendo. Nunca produzi tanto como nos últimos 30 dias. Nunca me dei tanto valor como nas últimas semanas. Foi necessário abandonar algum peso, deixar pra trás coisas que não estavam funcionando, mas quem disse que a viagem seria fácil? Viajar sobrecarregada, então, nem se fala... Doeu um pouco (só um pouquinho), é super difícil sair da zona de conforto e se colocar em movimento. Mas cá estou. Movendo meus dedinhos e deixando fluir as ideias. Alguma coisa do que estou escrevendo faz algum sentido? Pra mim faz. Acho.

Feliz 2015 pra você também!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Acabou de acontecer...

A turminha do meu filho está junta desde o berçário e temos um grupo no Facebook onde combinamos passeios e atividades com os pequenos. É ótimo porque as crianças mantém contato mesmo com os amiguinhos que já saíram da escola (e eles se adoram!!).

Esse mês programei uma turma de scrapbook digital durante dois sábados. A primeira aula foi sábado passado e a segunda seria amanhã. Pois justo essa semana as mães marcaram um piquenique com as crianças!! Combinei com meu pai de levá-lo, mas fiquei muito triste por não poder participar. Pensei em ligar para a aluna e pedir pra adiar a aula, mas ela tem um filha pequena e eu não me sentiria bem bagunçando a programação dela. Então resolvi deixar assim mesmo.

Nesses momentos a gente reflete se vale mesmo a pena se empenhar tanto no trabalho ao ponto de comprometer o tempo com os filhos. O pequeno vai comigo às aulas, presta atenção como se fosse aluno e já sabe tudo de scrapbook digital, rs!! O passeio foi marcado poucos dias antes e eu programo as aulas desde o mês anterior, assim que procurei não me sentir tão culpada por não poder participar. Pelo menos consegui arrumar pra que ele não perdesse o passeio e fosse se divertir com os amigos!!

E há duas horas, minha aluna de amanhã me liga perguntando se poderíamos remarcar a aula porque ela não conseguiu ninguém pra ficar com a filha dela. Coincidência, né?? Coisa boa!! Obrigada Universo, por conspirar a meu favor!!  =D

Aqui jaz a menina mais linda

Depois que começa a descida do Alto em direção à Barra, passando o posto de gasolina, tem um muro à esquerda. Na verdade, se trata da parede em ruínas do que parece ter sido um dia um grande galpão. E por estar abandonado, serve de tela para os artistas do grafite.

Nesse muro tinha o desenho de uma menina. Cabelos ruivos soltos ao vento, olhos fechados, cabeça inclinada pra baixo, na mão direita pendia um ramalhete de flores. Só depois de passar várias vezes por ali percebi que algumas folhas voavam com o vento, se estendendo até o limite do muro. Quase dava pra sentir o perfume das flores se espalhando no ar! A menina levava um vestido simples, que apesar de ser escuro, tenho certeza que se tratava de um vestido de noiva. Era uma imagem que transmitia melancolia e serenidade. Eu ficava hipnotizada cada vez que passava por ela, talvez por toda a emoção que enclausurava. Torcia para que o sinal estivesse fechado pra poder parar em frente e observar com tranquilidade, retendo os detalhes daquele quadro tão belo feito ao relento. Era meu museu particular.

Sim, era. Porque essa semana me deparei com um olho amarelo cheio de imagens psicodélicas em volta, cobrindo o espaço onde antes estava a menina. Meu coração bateu descompassado, senti um aperto no peito e meus olhos encheram d'água. Demorei bastante pra me recuperar do susto, pra aceitar a ideia de que nunca mais a veria. E depois veio a culpa. Isso porque por várias vezes pensei em levar a máquina fotográfica pra deixar registrada a sua imagem. Seria necessário estacionar e descer do carro, pois o ponto de ônibus bem em frente impediria uma foto frontal, e a gente vai protelando, vai deixando as coisas pra depois, e nunca o fiz. Nunca fotografei meu grafite favorito. E agora ele está soterrado embaixo de um monte de tinta feia.

Depois da perplexidade veio a raiva. Como alguém que se denominava "artista" teria tido o desrespeito de fazer sua obra em cima de outra?? E depois de tantos anos!! É muita falta de consideração. Minha vontade foi voltar ali com um balde de tinta preta e jogar em cima daquela aberração amarela, escrevendo sobre o luto com letras garrafais "AQUI JAZ A MENINA MAIS LINDA". Obviamente foi só um ímpeto motivado pela minha angústia. Fazer isso me rebaixaria ao nível do autor do crime artístico e não traria a menina de volta. Do seu desenho, só sobraram as pétalas de seu buquê na extremidade do muro...

Então deixo aqui o meu apelo. Se alguém que me lê, por alguma casualidade aleatória, tiver uma foto daquele grafite, por favor me mande! Não que ele não esteja gravado na retina, é que tenho medo de esquecer...

Atualização em 29/10/2013 - O marido deu a ideia de procurar no Google Maps e as primas Lili e Alline me ajudaram, assim que aqui está ela!!!